“A sustentabilidade é o desafio da década no setor cerâmico”






Com visão estratégica do futuro dos negócios, no papel de Superintendente da Anfacer, Antonio Carlos Kieling, trouxe para a Associação a pauta da sustentabilidade. Isso faz 10 anos. Era uma época em que o setor privado não tinha uma visão clara de como o assunto poderia impactar as empresas – não só do setor cerâmico. Mas a adoção do gás natural como matriz energética principal, na década de 90, já mostrava que os benefícios econômicos e ambientais podiam estar ligados. Kieling deixou a superintendência, mas suas ideias ganharam adeptos e, este ano, foi lançada a Iniciativa Anfacer + Sustentável, um programa que visa estimular e orientar a estratégia e a gestão para o desenvolvimento sustentável no segmento. Kieling reforça que a agenda de sustentabilidade é uma agenda de negócios que vai impactar no lucro das empresas. Confira a entrevista:


Iniciativa Anfacer + Sustentável - Como esta agenda da sustentabilidade entrou para a Anfacer?

Kieling - A Iniciativa vem sendo discutida há mais de uma década. Mas nessa época se sabia

pouco sobre o assunto. Estava se construindo o entendimento do que era sustentabilidade nas empresas. Então, no início, a preocupação era de compensar os impactos ambientais causados pelo setor. Mas, hoje, a visão é de qua de sustentabilidade é um vetor de negócios.


IAS – E quando isso começou a mudar?

K - O primeiro salto quântico do setor se deu na adoção do gás natural como matriz

energética. O segundo salto é exatamente na direção da sustentabilidade. Trata-se de uma

visão de longo prazo que precisa ser trabalhada desde já.


IAS – Por que a longo prazo?

K - Porque a questão da sustentabilidade tem relação com a perenidade das empresas. Isso vai garantir que elas permaneçam produtivas, ativas, gerando emprego, renda e lucro. Empresas são organizações sociais, mais do que econômicas. O conceito de sustentabilidade agrega essa definição, a revisão e a releitura do conceito de empresa. Não tenho dúvida de que o consumidor vai decidir comprar um bem ou um serviço em função dos valores sustentáveisque eles trazem consigo. Atender a essa demanda será um grande diferencial.


IAS – A Iniciativa seria o outro salto quântico?

K- Sem dúvida. Acredito que a sustentabilidade é o desafio da década para a indústria

cerâmica.


IAS – Por quê?

K – O setor vive hoje um ambiente de mudanças muito drásticas e crescentes. Em 2008,

éramos 94 empresas. Agora, somos 53. E tenho convicção, que em menos de dez anos

seremos por volta de 30 – e com características diferentes das que tínhamos até então. Há um processo de consolidação do setor, novos players estão entrando, inclusive de fora. Por isso, é fundamental conectar o programa de sustentabilidade com o de inovação. A concorrência já age em direção à sustentabilidade e eles não têm um décimo do nosso potencial.


IAS – E como as empresas veem isso em termos de investimento?

K – O custo ainda assusta. A sustentabilidade demanda inovação tecnológica. E toda nova

tecnologia, de início, é cara. Mas ela rapidamente acaba gerando ganhos econômicos reais.

Por isso é que tem que ser tratado como um assunto de longo prazo.


IAS – É uma demanda do mercado o foco na sustentabilidade?

K – Há uma consciência crescente de que toda atividade econômica gera impacto. Em algum

momento, temos que compensar esses impactos. Quem fizer isso, por meio de soluções

inteligentes, vai sair na frente e terá seu negócio valorizado. E os grandes fundos de

investimento hoje impõe que as empresas gerem valor econômico, mas também social e

ambiental. Ou seja, já existe uma valoração econômica das empresas pelos critérios de

sustentabilidade.

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